A COP30 PRECISA DE UMA VITÓRIA POLÍTICA PARA A CULTURA

por Andrew Potts

Para colocar o mundo no caminho certo para cumprir as metas do Acordo de Paris, a COP30 precisa entregar uma vitória política para a cultura e o clima, desbloqueando o poder da ação climática baseada na cultura para ajudar as pessoas a imaginar e construir futuros mais justos, resilientes e de baixo carbono.

Quase 10 anos após a adoção do Acordo de Paris, o mundo continua perigosamente fora do curso para cumprir suas metas. A janela para “manter a meta de 1,5°C viva”¹ está se fechando. As limitações são, em parte, resultantes de um sistema global de planejamento, políticas públicas e financiamento climático dominado por sistemas de conhecimento ocidentais e por formas tecnocráticas de modelagem e análises de custo-benefício. Questões sistêmicas ou contestadas são frequentemente ignoradas pelos formuladores de políticas, incluindo as origens históricas das mudanças climáticas antropogênicas (como colonialismo e imperialismo) e os facilitadores socioculturais da ação climática.

Inverter esse paradigma falho é o objetivo da “Chamada Global para Colocar o Patrimônio Cultural, as Artes e as Indústrias Criativas no Centro da Ação Climática”, uma campanha de advocacy lançada em 2023 por milhares de defensores da cultura em todo o mundo.

A Chamada Global pede às autoridades climáticas que tomem uma decisão política para lançar um processo que resulte na incorporação das dimensões socioculturais em todo o trabalho técnico, científico e estratégico da agência climática da ONU, conhecida como UNFCCC. Esse reconhecimento do valor da ação climática baseada na cultura para a política climática internacional, por sua vez, informaria as políticas climáticas nacionais e ajudaria a direcionar mais recursos para artistas, profissionais criativos e defensores do patrimônio cultural que estão na linha de frente das ações climáticas.

Mas o tempo para alcançar esses resultados está se esgotando. O extraordinário contexto cultural do Brasil, combinado com sua posição geopolítica única no mundo, faz da COP30 a melhor – e a última – chance para alcançar esses objetivos a tempo de acelerar a ação climática nesta década crítica de 2030. Para manter essa esperança viva, é crucial que o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima se alinhem com o Ministério da Cultura e tomem as decisões necessárias na COP29 para apoiar a adoção de uma decisão política sobre cultura e ação climática na COP30 — algo que ainda não foi acordado.

A menos que a lacuna cultural na ação climática seja preenchida, as respostas continuarão a falhar. A COP30, impulsionada pelo poderoso setor cultural do Brasil, tem a chance de ser lembrada como o momento onde o mundo finalmente colocou o patrimônio cultural, as artes e o setor criativo no coração da ação climática — mas apenas se agirmos agora para convencer os tomadores de decisão.

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1. A campanha ‘Keep 1,5ºC Alive’, da Organização Meteorológica Mundial, estabelece uma meta de limitação do aquecimento global. Conheça mais: https://wmo.int/media/news/keep-15deg-alive

Andrew Potts

Andrew Potts é o diretor da Comunidade de Prática para o projeto Preserving Legacies, consultor de ação climática e patrimônio na Europa Nostra e consultor de políticas climáticas. Potts faz parte do Comitê Consultivo de Especialistas do Conselho Consultivo de Preservação Histórica dos Estados Unidos e tem se concentrado em cultura e mudança climática desde 2015.